Sobre Portugal, a região de Dão e uma nova vinícola
- 28 de jul. de 2017
- 3 min de leitura
Mundialmente conhecido pelo seu ícone Vinho do Porto, Portugal tem anos de tradição quando o assunto é viticultura.
A história conta que a produção de vinhos no país foi consolidada pelos romanos, incentivada pela religião católica e os vinhos portugueses se espalharam pelo mundo através das grandes navegações. Em 1756, o país consolidou a primeira região demarcada de produção de vinhos do mundo, com a Denominação de Origem da Região do Douro, realizada por Marquês de Pombal.
Hoje, são 14 áreas de Indicação Geográfica Protegida (IGP), chamadas de Vinho Regional pelos portugueses. Dentro delas, se encontram 31 Denominações de Origem (DOC ou DOP).
O país está localizado inteiramente dentro das latitudes 30° e 50°, possuindo as condições mais adequadas para o crescimento e desenvolvimento da vitis vinífera.

foto: www.winesofportugal.com
Em termos de variedade, Portugal também se destaca com mais de 250 tipos de uvas nativas, que conferem personalidade aos vinhos portugueses.
Um outro dado interessante, proveniente dos estudos realizados em 2016 pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (IOV), mostra o quanto as mudanças climáticas afetam a produção e a viticultura. No ano passado, houve uma queda mundial na produção de vinhos e, em Portugal, isso representou uma redução de aproximadamente 20%.
Mas isso não impactou no consumo! Portugal lidera a lista de países com o maior consumo por habitantes: 54 litros por pessoa, por ano.
Escolhi falar hoje sobre a região de Dão
Sobre Dão

Com relevo acidentado cercado por altas montanhas, Dão foi qualificada com Denominação de Origem Controlada em 1990 e é conhecida por seus vinhos com características diferenciadas. O clima local é temperado, com verões secos e quentes e invernos frios e chuvosos, o que proporciona uma amplitude térmica. Os vinhos costumam ser produzidos com cortes de diferentes castas e com uvas de diferentes altitudes.
A região também é o berço da Touriga Nacional, famosa uva tinta do país e base para a produção do Vinho do Porto. Assim, os vinhos dessa região demarcada devem ter, no mínimo, 20% da uva Touriga Nacional em sua composição. Já nas uvas brancas, o grande destaque da região é a uva Encruzado.
Uma descoberta recente do Dão
Recentemente, comprei um vinho despretensiosamente no supermercado Oba, em Campinas: o Titular Colheita Branco, 2015.
Pesquisando um pouco mais sobre a vinícola, descobri que se trata de uma vinícola relativamente nova na região do Dão.
A Vinícola Caminhos Cruzados começou sua produção de uvas em 2012, lançando a marca Titular. Em 2013, iniciou um processo de recuperação de vinhas antigas e a plantação de novos hectares em Quinta da Teixuga. A vinícola seguiu crescendo, com uma grande investimento em 2014, que proporcionou uma capacidade produtiva de 400.000 litros. Recentemente, foi premiada como revelação do ano 2015 pela Revista de Vinhos, de Portugal. Este ano, o vinho Titular Encruzado 2015 recebeu medalha de prata no Concurso Decanter 2017 e o vinho Titular Touriga Nacional 2013 recebeu medalha de ouro no Concurso “Melhores Vinhos Engarrafados do Dão – 2017”.
Acabei comprando outro vinho deles por curiosidade e deixo aqui a avaliação de ambos:
Titular Colheita Branco, 2015
Além das características do vinho em si, a avaliação de um rótulo é consideravelmente influenciada pela harmonização, seja com a comida ou seja com o ambiente. Escolhi o Titular Colheita Branco para um tarde descontraída no alto de uma montanha, em um lindo dia de sol. Buscava um vinho leve e refrescante. E encontrei!

Esse rótulo casou perfeitamente com a ocasião. Estávamos entre 4 amigas, com paladares completamente distintos, e o vinho agradou a todas. É um vinho de coloração palha, bastante leve, com aromas frutados e tons cítricos. Os aromas são confirmados em boca e se complementam com uma boa acidez. É um vinho fácil de beber entre amigos e de bom custo-benefício!
As uvas são Encruzado, Malvasia Fina e Bical.
Como comentei, encontrei os vinhos da Vinícola Caminhos Cruzados no supermercado Oba, em Campinas. Esse rótulo custou R$39,90.
Titular Reserva 2013
Esse vinho foi degustado em um jantar em família e perfeitamente harmonizado com filet mignon com cebola caramelizada e fettuccine puxado na manteiga de ervas. O interessante desse vinho é a união de três uvas: Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, o que trouxe uma complexidade aromática que evoluiu a cada taça.

Trata-se de um vinho de coloração rubi intensa, corpo médio e com uma complexidade de aromas que acredito ser das diferentes uvas (as quais não conheço tão bem as características). Identifiquei aromas de frutas vermelhas, notas minerais e alguma especiaria. Em boca, é bastante equilibrado, unindo taninos finos e boa acidez.
Esse rótulo custou R$79,90.




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