Malbec: da original francesa à famosa argentina
- 24 de jan. de 2017
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Uma das minhas uvas preferidas, a Malbec tornou-se a uva de grande prestígio dos vinhos argentinos.
Originária de Bordeaux, na França, a uva Malbec atravessou o Atlântico em 1852 e encontrou um excelente terroir em Mendoza, Argentina. Hoje, a Argentina é responsável por cerca de 70% de toda a produção de vinhos Malbec do mundo.
Por essa razão, é de se esperar que nossa associação seja entre a uva Malbec e um vinho frutado, encorpado, de coloração forte e origem “hermana”. E é aí que a gente se engana! A uva Malbec é um grande exemplo de como o terroir afeta diretamente as características da uva e, consequentemente, do vinho.

imagem: www.pbs.org
Vamos às diferenças:
Malbec Francês
O Malbec em Bordeaux sofreu os grandes impactos da praga filoxera. Parte do sudoeste francês e bem próxima à Bordeaux, a região de Cahors sofreu forte influência de seu poderoso vizinho em sua dramática história e, hoje, é o território onde a uva Malbec reina soberana. As normas da AOC Cahors determinam que o vinho deve ser composto de, pelo menos, 70% de Malbec, sendo o restante composto por Tannat ou Merlot.
O terroir corresponde a um solo calcário. As videiras prosperam no planalto árido, que força as raízes a escavarem profundamente para obter nutrientes. As uvas produzidas nessa região, quando comparadas com as argentinas, são mais “parrudas”, mais tânicas e com mais amargor, de coloração escura e profunda, com aromas que remetem à ameixa e frutas negras, mas também à terra, tabaco, couro e notas carnudas.
Malbec Argentino
No pé dos Andes, o terroir é composto por amplitude térmica, com grandes períodos de sol, intercalados com chuvas escassas, granizo no início do verão e vendaval forte. Aqui, as vinhas precisam cavar profundamente a areia fluvial e o solo argiloso. Essa argila permite que as vinhas absorvam mais os minerais do solo. A areia proporciona boa drenagem. A montanha garante noites frias. O resultado são uvas de caráter bastante frutado, que também remete à ameixa, mas com notas mais maduras, com taninos menos presentes porém aveludados, acidez e equilíbrio.
Na legislação Argentina, para um vinho ser considerado varietal, ele deve conter, pelo menos, 85% de determinada uva em sua composição.
Parecem uvas bem diferentes, não é mesmo? Aparentemente, fáceis de serem identificadas.
Fizemos um teste com vinhos Malbec para tirar essa teima. O resultado? No próximo post! =)




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